Como o senhor avalia o atual estágio da educação brasileira?
Estamos numa fase negativa. A
qualidade é altamente precária, com exceção da pós-graduação. E há um
fenômeno incrível: estamos perdendo alunos em todos os graus de ensino,
revelando um fenômeno complicado para ser revertido.
Qual o
caminho para eliminar os problemas?
Vontade política. O governo,
aliás desde o anterior, faz muita "firulagem" com os problemas
educacionais. Resolver que é bom, nada. Faltam recursos e uma qualidade
compatível com os desafios brasileiros. Faz-se muita propaganda, mas na
prática estamos atrás de países como a Argentina, o México e o Chile, o
que é desonroso para nós.
Nunca se
falou e escreveu tão mal a nossa língua portuguesa. Há quem "disponibilize
café" em vez de oferecer café, os que dizem "não vou estar tendo" em vez
de dizer que não têm determinado produto e tantas outras aberrações. O
pior é ouvir professores, tanto do ensino fundamental e médio quanto do
ensino superior, usarem esse tipo de linguajar. A que o senhor atribui
esse triste fenômeno e o que pode ser feito para tentar reverter a
situação?
É verdade que não se capricha
tanto quanto se deveria, no falar e no escrever a nossa língua. Uma parte
deve-se à televisão, especialmente novelas, que, a pretexto de simplificar
a linguagem, na verdade, ensinam errado. Outra parte é o despreparo
colorido dos mestres. Eles não aprendem corretamente nas universidades,
não podem transmitir a norma culta para os seus alunos. Isso só se resolve
com uma enorme cruzada em favor da língua portuguesa e o uso intensivo de
bons livros de língua portuguesa.

O senhor vê
alguma relação entre os altos índices de violência, especialmente na faixa
etária de 18 a 25 anos, e a má qualidade do ensino público de primeiro e
segundo graus?
A violência entre os jovens
tem várias causas. Não é só o ensino precário. As relações com os pais, em
geral, estão deterioradas e o papel da religião não é suficiente para
cobrir a busca de melhor conduta. Junte-se a isso tudo a falta de emprego,
ou estágio, e aí estará formado o caldo de cultura das dificuldades hoje
enfrentadas pelos jovens.
Há 50 anos
fazer um curso superior era meio caminho andado para garantir trabalho e
uma vida digna. Hoje, não é mais assim. O que aconteceu?
O Brasil cresceu, a educação
massificou, mas a qualidade piorou. Isso é mais que evidente.
O senhor,
há anos, é um defensor do ensino à distância. Por quê?
Trata-se de modalidade
consagrada no mundo desenvolvido, onde faz sucesso há muito tempo.
Exemplo: Austrália, Canadá, Inglaterra, Espanha, Israel. Ela funciona
muito bem nesses países.
Como será
feita a avaliação dos alunos nesse tipo de ensino?
De forma presencial, com o uso
de universidades federais espalhadas em território brasileiro. Para evitar
o facilitário extremamente perigoso. Toda a avaliação deve ser presencial
e acontecer em diversos períodos do tempo de estudo, com uma prova final.
Isso faz a diferença entre um curso sério e uma picaretagem.
O ensino à
distância, um dia, poderá substituir o ensino presencial?
Não, vai partilhar. É assim
que está ocorrendo nos Estados Unidos. Há universidades norte-americanas
que dividem o alunado meio a meio, com proveito geral. Vi uma experiência
notável, num estágio que fiz na Nova University, da Flórida.
A
universidade aberta é viável no Brasil?
Sim, e está caminhando
celeremente para funcionar a partir de 2006. É um benefício que demorou
muito a surgir. Lembro que, no início de 1970, por sugestão do então
ministro Jarbas Passarinho, fiz parte de um grupo de trabalho dirigido
pelo educador Newton Sucupira, recém chegado de Londres. Houve 12
reuniões, mas no final não se conseguiu criar a universidade aberta.
Especialistas do Ministério da Educação exageraram na dose. Agora, tudo
chega na proporção devida – e teremos o benefício em andamento.
Qual a sua
opinião sobre o ProUni?
Sou favorável e penso que vai
dar certo.
O senhor
preside o Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional, que tem em
sua pauta, entre outras questões, a televisão digital no Brasil. Qual é,
na sua opinião, o melhor modelo para o Brasil? O que mudará na vida dos
cidadãos?
A TV Digital funcionará em
2006 no Brasil. Certamente na Copa do Mundo da Alemanha já estarão sendo
feitos alguns testes. As ferramentas a serem utilizadas é que ainda não
estão decididas, podendo ser norte-americanas, européias ou japonesas.
Tenho defendido sempre no CCS (Conselho de Comunicação Social), em
Brasília, que haja um grande proveito pedagógico com esse avanço
tecnológico. A educação precisa muito disso.